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A carta aos triangulinos: estratégias discursivas de Mário Palmério na campanha eleitoral de 1950

André Azevedo da Fonseca (Uniube)

O escritor Mário Palmério (1916-1996), autor de Vila dos Confins (1956) e Chapadão do Bugre (1965), foi por toda a década de 1950 o principal líder trabalhista na região do Triângulo Mineiro. Eleito em 1950 para a Câmara Federal (PTB-MG), o jovem professor surpreendeu as elites locais, pois jamais manifestara anteriormente o interesse em ingressar na política. Antes de assumir a candidatura, Palmério publicou um manifesto político chamado Carta aos triangulinos na imprensa regional, onde defendeu a emancipação do Triângulo e o fortalecimento da representação política regional como uma medida visando não apenas o desenvolvimento da região, mas o progresso de todo o Brasil através da reforma territorial. Para isso, elabora um discurso professoral e encarna o mito político do Iluminado que, diante da irracionalidade e da fúria separatista que animava a política no Triângulo Mineiro, aponta o caminho sob um prisma mais elevado. O presente artigo analisa as estratégias discursivas de Carta aos triangulinos à luz de Bourdieu, Girardet e Chartier.


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